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Extensionistas rurais contra a violência.
Para: Sociedade Brasileira
Carta aberta a sociedade brasileira.
Somos um coletivo de mulheres e homens, servidores públicos, atuando nos serviços de Assistência Técnica e Extensão Rural no estado do Pará, ressaltamos que esta carta representa a opinião das pessoas que assinam esse documento.
Nosso lugar de fala - nesse texto - tem por objetivo manifestar exclusivamente nossa posição política contra um “projeto de nação” excludente, racista (para com indígenas, quilombolas, agricultores familiares), misógino (por pregar a submissão da mulher e que estas devem ter menos direitos que os homens), homofóbico e que defende a retirada de direitos sociais, trabalhistas e previdenciários.
Também entendemos, que por mais que tenhamos concepções políticas e ideológicas diferentes, não poderíamos deixar de nos manifestar de forma conjunta por ser este um momento que pede a união de todos e todas contra um “projeto de nação” que representa um enorme retrocesso para a sociedade, o qual terá reflexo nas populações rurais, com a supressão de direitos conquistados, que se institucionalizaram através de políticas públicas, nas diversas categorias citadas, principalmente aos agricultores familiares e suas redes de apoio, dentre elas a Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) universalizada.
Neste sentido, e como forma de embasar o nosso apoio e solidariedade à manutenção dos direitos conquistados, nos últimos trinta anos, com muita luta e sangue derramado pela classe trabalhadora do campo, citamos a missão dos serviços de ATER como uma atividade de educação não formal, cuja missão consiste em:
“Participar na promoção e animação de processos... de desenvolvimento rural sustentável... e fortalecimento da agricultura familiar e das suas organizações..., buscando viabilizar as condições para o exercício da cidadania e a melhoria da qualidade de vida da sociedade”. (PNATER/2010).
Assim, considerando a importância dos serviços de extensão rural prestados, ainda, como agente de desenvolvimento, atuando nos distintos municípios, e em respeito às especificidades e diversidades ali observadas, fazemos menção ao momento atual, que tende a acentuar os conflitos rurais promovendo a banalização da violência, a criminalização dos movimentos sociais, a perda do direito à aposentaria, a flexibilização de trabalho escravo, e a extinção de políticas públicas como as de comercialização e de seguridade social, o que levará a uma crise política, moral e ética, sem precedentes.
Ressaltamos que nos mobilizamos por um sentimento de não neutralidade diante desse momento histórico de ataque e ameaça aos direitos humanos e a vida futura no país. Nesse contexto, destacamos os seguintes pontos abordados em discursos, proposta de governo e práticas que precisam ser combatidos por todos e todas, de forma especial por nós – extensionistas - que temos a missão de contribuir com exercício da cidadania e a melhoria da qualidade de vida da sociedade rural e urbana:
· Inferiorização, incitação à violência e ódio para com as mulheres e minorias sociais;
· Banalização do Racismo;
· Ameaça às terras indígenas e comunidades quilombolas (nos solidarizamos de forma muito especial às comunidades quilombolas e indígenas atendidas por nós extensionistas);
· Criminalização dos movimentos sociais;
· Fragilização das leis de proteção ambiental principalmente na Amazônia, visando espoliação e uso indiscriminado dos recursos naturais pela política neoliberal;
· Disseminação de Ameaças e preconceito contra a comunidade LGBT;
· Precarização do trabalho no meio rural e urbano por meio de flexibilização de leis trabalhistas;
· Privatizações irrestritas;
· Ataques a agricultura familiar através da proposta de privatização de estatais como a -B e não retomada do Ministério do desenvolvimento agrário;
Diante do exposto. Convidamos aos trabalhadores da ATER para assinar coletivamente esse documento, nos posicionando como educadores em defesa da democracia, da equidade e do respeito à diversidade tão necessária para o desenvolvimento e manutenção da sociedade brasileira. Repudiando de forma veemente, o discurso de ódio, exclusão e as perdas de direitos conquistados pela classe trabalhadora neste país rural e urbano.