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SOU DO FUNK - NÃO SOU DO CRIME
Para: Senado Federal
O INSTITUTO FUNKEOU vem se posicionar junto a sociedade quanto a sugestão de lei encaminhada ao Senado Federal, pelo empresário Marcelo Alonso, que Criminaliza o Funk.
Primeiro, precisamos entender o que aconteceu ao nosso FUNK para que um cidadão enxergasse a criminalização como uma solução. Não é de agora que o Funk é discriminado, e não é diferente para muitos outros estilos musicais brasileiros de gosto popular em nossa sociedade.
O sucesso do FUNK se deu pelo seu ritmo inovador e envolvente, no qual em suas letras se buscava expressar a realidade da população mais carente. Em toda sua história, o funk foi marcado por perseguições e atos de discriminação. Seu período mais crítico foi em 1990 quando a violência nos bailes virou notícia e gerou uma grande pressão contra o ritmo musical, sendo proibida a realização de bailes em clubes populares. Nessa mesma época, donos de Equipe de Som, MCs, e DJs se uniram para proteger o movimento funk e fortalecer a produção musical realizando seus bailes em comunidades do subúrbio carioca. Dentre eles, Luís Fernando de Matta (DJ Marlboro) se encarregou de escrever letras inspirado no que era cantado pelo público em seus bailes. Entre suas composições e experiências musicais, o “Melô da Mulher Feia” foi um sucesso estrondoso e é considerado o hit pioneiro do funk carioca, estabelecendo assim o novo gênero musical. No entanto, o sucesso inesperado não veio acompanhado do apoio de grandes gravadoras, uma vez que boa parte de seus adeptos eram de classes mais baixas da sociedade.
Com o passar dos anos, o funk se estabeleceu no cenário nacional consagrando diversos MCs e DJs. Com o surgimento da nova classe “C” e de novas vertentes do funk, como o “funk ostentação” (nascido em São Paulo), grandes empresas queriam associar suas marcas à artistas para alcançar um novo mercado. O funk tornou-se um produto altamente vendável, no qual
jovens veem a oportunidade para melhorar de vida. O sonho de se tornar um jogador de futebol passou a dividir o imaginário de milhares de jovens brasileiros com o sonho de se tornar MC.
No entanto, a massificação das produções independentes não contribuiu para a evolução do gênero. A principal perda foi observada na queda da qualidade das letras, que não mais expressam as aspirações, história de vida e luta. Hoje se percebe que as letras se baseiam basicamente em desejos mundanos, disfarçados pela batida eletrônica do “tamborzão” que envolve o público jovem. Felizmente, essa mudança de postura não se reflete em todo o gênero.
Muitos artistas já consagrados e novos MCs carregam em suas letras mensagens positivas que servem de exemplo para muitos jovens. MC Guimé, Anitta, Naldo, Nego do Borel, MC Marcelly, Marcinho, Cidinho e Doca, Ludmilla, MC Gui, entreoutros, são exemplos de artistas que promovem o funk do bem.
A criminalização do funk não é solução, uma vez que as músicas ditas “proibidões” não são divulgadas nos meios convencionais e não são reproduzidas em eventos com algum grau de compromisso com seu público. Criminalizar o funk, como gênero musical, além de ser um atentado a cultura, é de fato dar força a esta inversão marginal de valores. Com a triste realidade das nossas comunidades, o retrato do funk será bailes clandestinos conduzidos pela força atuante nas comunidades (traficantes e/ou milicianos), não havendo qualquer controle de acesso ou consumo de entorpecentes, sendo os jovens as principais vítimas de nossa negligência. A inversão e a perda dos valores se reflete em mais do que nas letras de funk, percebemos isso a cada notícia com que nos deparamos. Nós, como brasileiros, precisamos agir e cobrar por ações que busquem difundir valores para nossos jovens e só assim começaremos a ver mudanças na nossa sociedade.
O momento do nosso país é de renovação, mas toda renovação deve ser feita com cautela para não pagarmos um preço alto demais. Nós, do INSTITUTO FUNKEOU, vemos um chance ímpar para mudar definitivamente o jeito de se fazer funk e protegê-lo através da união dos artistas e de todos os integrantes que promovem o bem.