Nos últimos semestres, as mudanças institucionais da Universidade Católica de Brasília foram inúmeras. Em relação ao curso de Direito, há uma crescente pressão sobre os alunos e professores por resultados, concomitantemente com a demissão de docentes, especialmente aqueles engajados com produção acadêmica.
Como se exige resultados à força com “novos” modelos de prova, sem o investimento em professores de qualidade? Por que forçar a aplicação de “metodologias ativas” em sala de aula sem que haja escopo prático para o que vemos? A resposta coerente para a produção de resultados seria a promoção de iniciativas práticas como empresas júniores, simulações, etc. A resposta da UCB: pressionar alunos e professores, na base do medo de reprovar ou ser demitido fundamentado em critérios meramente quantitativos, longe de serem qualitativos.
É dito que o Curso de Direito é o carro chefe da Universidade e é visível o descontentamento do corpo discente com a instituição, principalmente com a Coordenação que mudou 3 vezes em menos de seis meses e gerou grande insegurança e instabilidade.
As mudanças foram inúmeras e, frequentemente, unilaterais. Abarcaram trocas de horário, demissão de professores, burocracia para pedido de segunda chamada, mudanças de critérios para o TCC e para avaliações bimestrais, descosiderando totalmente qualquer organização prévia que os alunos pudessem vir a ter.
Na prática, os alunos perderam meia hora de aula do semestre 2/2017 para o semestre 1/2018, desconsiderando, ainda, todos aqueles que estagiam ou trabalham a partir de 13 horas, que acabam precisando sair mais cedo, sendo mais prejudicados.
As provas institucionais do semestre sofreram mudanças tanto em relação às disciplinas a serem cobradas quanto a seu formato, que agora abrange, também, as questões discursivas, tendo aumentado, portanto, seu valor percentual relativo à nota total.
A coordenação alega que os professores estavam cientes desde fevereiro de quais disciplinas teriam prova institucional e quais não, bem como suas datas e seu formato. No entanto, é nítido que os docentes estão tão perdidos quanto nós.
O novo Coordenador não foi apresentado oficialmente ao corpo acadêmico. Infelizmente desconhecemos seu trabalho, seus valores e suas diretrizes.
A falta de comunicação é gritante! Um fato agravante: as mudanças nos são informadas sempre em cima da hora, sem tempo hábil para que possamos nos programar. Parece à instituição que os alunos são meros agentes passivos, que vivem em torno das atividades acadêmicas (que perdem qualidade a cada dia).
O incentivo à pesquisa e extensão é quase nulo para os padrões de uma Universidade.
Ao mesmo tempo em que se alega o corte de gastos na Universidade para demitir professores, também se vê reformas em laboratórios de informática (em que diminuíram o número de computadores) e em espaços de conveniência “mais modernos” ou publicitários. Os cortes são para quem? Estrutura sem capital intelectual não é o caminho para garantir resultados no ENADE e na prova da Ordem.
Há a ameaça de que uma das melhores iniciativas do curso de direito (os aulões da OAB) seja abolida! Qual é a coerência das medidas tomadas?
A voz dos estudantes, note-se: "consumidores", é frequentemente ignorada.
Neste sentido, o corpo discente necessita de maior comunicação. Uma Universidade é ambiente de debate de ideias. E o conhecimento, bem como nossa formação acadêmica e profissional não pode ser mercadoria.
Por tudo isso, pede-se:
1. Maior comunicação sobre as mudanças institucionais;
2. Aviso das decisões institucionais que afetem a vida dos estudantes no início do semestre, com o mínimo de consideração, implantando as novas medidas decididas ao longo dos meses letivos no período seguinte para que não existam enganos e deinformações;
3. Cessação das demissões de professores pobremente motivadas;
4. Respeito com os alunos e professores.
Os alunos estão cansados de ser ignorados, portanto, estão dispostos a tomar medidas mais incisivas. A prova do ENADE é feita pelos estudantes. O descontentamento será refletido nela.
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